Aniversário de 250 anos de Beethoven é comemorado durante o 6° Ilumina Festival na Sala São Paulo, em São Paulo/SP

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O ano de 2020 já começa com o astral lá em cima, embalado pelo 6º Ilumina Festival, fundado pela violista norte-americana Jennifer Stumm. O evento acontece sempre em janeiro, sendo um festival anual de música clássica.

Nele, solistas profissionais de renome, de várias partes do mundo, se reúnem no interior e na capital de São Paulo, onde convivem e passam suas experiências para jovens músicos brasileiros em início de carreira profissional. Por meio de ensaios e oficinas, todos os músicos se preparam, juntos, para uma série de concertos abertos ao público e com entrada franca, destinados a trazer a música de câmara para novos públicos. Tanto os solistas quanto os participantes alimentam um ao outro e a experiência fornece um considerável impulso profissional para a carreira de ambos.

O festival opera sem fins lucrativos e conta com doações de alguns consulados, patrocínios e apoios de pessoas físicas, em sua grande maioria de fora do país, para manter a viabilidade financeira e continuar acontecendo!

“É lamentável a ausência de apoio e de verba para os jovens artistas brasileiros!”, essa é a opinião de Jennifer Stumm, que todo ano tira do próprio bolso recursos para realizar o festival. Ela acrescenta: “Meus cinco anos fazendo o Ilumina Festival foram os mais importantes e emocionantes da minha vida. Sendo também os mais tristes. Todo ano eu choro porque vejo que por falta de apoio financeiro grandes talentos e futuros líderes que o mundo e o Brasil poderiam ter se perdem. Amo cada um deles, mas não consigo ajudar a todos! Muitos jovens que o Ilumina ajudou agora estão tendo sucesso de forma incrível, muitas vezes sendo mais bem sucedidos do que as próprias crianças europeias que tiveram apoio por toda a vida.  No entanto, é quase impossível encontrar apoios para eles no Brasil. O fato desses jovens passarem despercebidos em seu próprio país é uma forma de genocídio social”, comenta.

Esse ano, a violista foi convidada pela NASA para dar uma palestra para líderes do Fórum Econômico Mundial e lá teve a oportunidade de reportar como por meio da música junto aos jovens brasileiros vem conseguindo, com muita luta e fé, resultados positivos diferentes, transformando vidas e escrevendo novas histórias com finais bem mais felizes.

Exemplo é o caso do menino Nathan, hoje com 24 anos. Ele explana: “Eu quando conheci o Ilumina era um jovem perdido, tentando sobreviver ao meio musical, porém, sem experiência e sem objetivos. Nasci na favela da Mangueira, no Rio de Janeiro/RJ, o Ilumina me ajudou a organizar os meus objetivos e desenvolver minhas habilidades técnicas no instrumento, abrindo minha mente para novas possibilidades. Hoje moro em Salzburg, que é uma pequena cidade no interior da Áustria e que parece que foi desenhada para existir! Muito conhecida por ser o berço natal de Mozart e uma referência em festivais de música clássica no mundo, Salzburg impressiona por tantas histórias nas ruas.

O que também chama bastante atenção é a veia artística que a cidade transmite, tudo aqui vira naturalmente música, ópera, ballet, concerto e algo mais que se possa imaginar. Estudo em uma das melhores universidades do mundo. Tudo isso pude alcançar graças ao Festival Ilumina, que acreditou em mim e vem trabalhando arduamente para ajudar tantos outros jovens como eu, que não tiveram oportunidade de receber um ensino de qualidade.

Tenho a esperança que mais pessoas consigam enxergar que o Ilumina não é apenas um festival, ele acima de tudo muda vidas para sempre! Assim como a minha! Penso que ter acesso à educação não é um favor, mas sim um direito! Os cortes de incentivo à cultura são feitos embaixo dos nosso olhos e nada fazemos! Precisamos que mais pessoas entendam que o futuro promissor só é atingido por meio da educação.”, conclui.

O paulista Guilherme Moraes (22), que toca violoncelo, faz coro junto a Nathan e conta: “Foi por meio do Festival Ilumina que conheci meu primeiro professor”. Guilherme também estuda em Salzburg, na Universidade Mozarteum, na Áustria. Ele acrescenta: “O festival, além de ser um ótimo curso em música de câmara é uma grande oportunidade de saber como funciona o mundo da música profissional, aprendendo a dividir o palco com artistas excepcionais. O Ilumina abre as portas para o mundo da música clássica no exterior, que é feita com uma qualidade que infelizmente ainda não está disponível no Brasil, devido à falta de recursos financeiros, de investimento e a educação.”, finaliza o músico.

Para quem desconhece, ao contrário do que muitos possam acreditar, o Ilumina não foi concebido para acontecer uma vez, mas sim os 365 dias do ano. Pensando nisso, ele tem a proposta de fazer concertos ao longo de todo o ano, promovendo diversas ações, como a criação de uma plataforma chamada “Musico.info”, onde qualquer pessoa, de qualquer localização do mundo, pode ter acesso a informações de como estudar no exterior. A ideia é sempre trazer informações para jovens músicos. A plataforma foi construída em parceria com o Consulado Geral dos Estados Unidos em São Paulo, que financiou todos os custos envolvidos. Já apresentaram concertos em São Paulo, no Rio de Janeiro e Londres, sendo um projeto bem mais amplo que vale conhecer, se envolver e participar, ajudando inúmeros jovens a escrever histórias de valor!

Esse ano, no Brasil, o Ilumina é o primeiro evento de música clássica a comemorar os 250 anos de Beethoven, movimentando ainda mais o mercado deste setor no país. A comemoração vai ser no término do festival, na Sala São Paulo. As músicas de Ludwig van Beethoven até hoje são revolucionárias. Sua produção artística está dividida em 3 fases: De 1792 a 1800 – Caráter juvenil nas obras; de 1800 a 1814 – A fase mais madura, quando produziu sonatas e quartetos envolvendo muitas técnicas de composição e a última fase, de 1814 a 1827 – Nessa etapa, já surdo, o compositor atinge o grau máximo de técnica artística. Beethoven foi considerado um exímio artista, ou até mesmo um gênio da música clássica, como aponta o crítico alemão Paul Bekker (1882-1937) a respeito de sua obra: “O resumo de sua obra é a liberdade: a liberdade política, a liberdade artística do indivíduo, sua liberdade de escolha, de credo e a liberdade individual em todos os aspectos da vida”.

O Festival Ilumina acontece desde o dia 2 de janeiro até o dia 12 de janeiro de 2020, começando na cidade de Mococa, reconhecida como um dos municípios do Estado de São Paulo mais desenvolvidos socioeconomicamente do Brasil, depois, passando pelo tradicional Theatro São Pedro, que faz parte dos teatros de ópera criados na virada do século XIX para o XX, sendo o único remanescente dessa época em que a cultura estava espalhada pelas ruas da cidade, promovendo concertos, galas, vesperais, óperas e operetas. Em seguida, chegando com todo esplendor no moderno Teatro de Contêiner Mungunzá, que é formado por 11 contêineres, na região central de São Paulo (Santa Ifigênia). E, por último, a magnífica Sala São Paulo, que é a casa oficial da Osesp e que faz parte do Centro Cultural Júlio Prestes. Em todos esses dias, muita música clássica emocionando público, músicos e solistas, do início até o fim.

Fonte: Diário do Turismo

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