Ospa 70 anos: como a orquestra pretende expandir seu público

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Uma das prioridades da direção artística é despertar o amor pela música de concerto desde cedo

Reconduzido ao cargo em 2019 pela secretária estadual da Cultura, Beatriz Araújo, o maestro Evandro Matté pode ser tornar, ao final deste segundo período, um dos mais longevos diretores artísticos da história da Ospa. Trompetista da orquestra desde 1990 (os músicos são concursados), Matté é uma prata da casa, mas trilhou um caminho singular, tendo estudado gestão empresarial, fomento à cultura e engenharia. Em meados de 2018, chegou a ser o diretor artístico de três orquestras simultaneamente: a Orquestra Unisinos, extinta em fevereiro último, e a Orquestra de Câmara Theatro São Pedro, na qual permanece, além da Ospa.

A continuidade no comando da Ospa mesmo após uma troca de partido no Palácio Piratini foi um reconhecimento ao trabalho realizado desde 2015. Matté consolidou ganhos anteriores, como a nomeação de 25 músicos e dois preparadores vocais do coro de um concurso realizado em 2014, e teve seus próprios feitos, o maior deles a conquista de um espaço de 2,5 mil metros quadrados no Centro Administrativo Fernando Ferrari, na Capital. Cedida por 30 anos, a Casa da Ospa é a primeira sede da história da orquestra.

Também sob a batuta de Matté, a Escola da Ospa – que oferece educação musical gratuita a quase 300 jovens – passou a operar no Palacinho. Um projeto pretende aumentar sua capacidade para 800 alunos. Diretor da Escola, o clarinetista Diego Grendene explica que muitos alunos são oriundos de projetos sociais existentes no Estado:

— A Ospa é uma das principais orquestras brasileiras, tendo reconhecimento junto à sociedade. O sonho de muitos alunos é ingressar nesta ou em outras grandes orquestras brasileiras e internacionais. Ressalte-se que mais de um terço dos músicos da orquestra foi aluno da Escola.

Já a Ospa dos adultos passou a encenar uma ópera por ano, gravou um disco com repertório brasileiro, que deve ser lançado ainda em 2020, e vai registrar outro, focado em compositores latino-americanos. Entre as prioridades, segundo Matté, está a conclusão das obras do complexo da Casa da Ospa, um novo concurso para contratar 16 músicos e o aprimoramento da sonoridade do conjunto, trabalho que pôde ser iniciado após a inauguração da sala de concertos. Outro foco é o trabalho com a sociedade. Exemplo disso é a ação estreada antes do primeiro concerto da temporada, chamada Por Trás do Programa, em que um especialista comenta, em linguagem didática, o repertório que será tocado em seguida.

— Estamos criando programas para que as pessoas saibam o que é uma orquestra e tenham contato com a música de concerto. Temos de levar a música para as escolas públicas e privadas. Se 50 crianças assistirem a um projeto educativo e duas gostarem, são dois espectadores futuros — diz Matté.

Sim, a Ospa quer conquistar mais público, mas não apenas os jovens. Um levantamento realizado de outubro a dezembro de 2019 com os frequentadores de seus concertos revelou que 27,4% tinham entre 18 e 25 anos. Depois, veio a faixa etária entre 46 e 60 anos (22,1%) e a que está entre 26 e 35 anos (20%). É na plateia que o diretor artístico pensa ao projetar seu repertório ideal. Segundo ele, deve-se privilegiar um equilíbrio entre composições de diferentes períodos históricos:

— Certa vez, o Eleazar de Carvalho (ex-diretor artístico da Ospa) fez três meses de música barroca. No segundo, não tinha mais público, porque ficou muito específico. Temos de diversificar. A música de 70 anos para cá tem um custo financeiro de execução, ao contrário das obras do passado em domínio público. Mas, quando terminarmos a Casa da Ospa, poderemos investir.

A expectativa ecoa entre os 102 músicos da orquestra, que têm um ambiente de trabalho “muito bom”, mas de cobrança mútua, na definição do trombonista Rodrigo da Rocha, presidente da Associação dos Funcionários da Fundação Ospa (Affospa):

— Uma orquestra sinfônica é um organismo vivo muito complexo, formado por artistas de diversas escolas, e isso seria a receita perfeita para o caos. Contudo, temos um objetivo final em comum, que é a música. Recriar coletivamente uma obra de alta complexidade proporciona um prazer indescritível. Nosso desafio diário é nos manter sempre preparados para desempenhar da melhor forma possível o nosso papel, pois cada músico depende do outro.

Fonte: Gaúcha ZH

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