Música contribui com a mudança de vida

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A música é um dos pilares possíveis da justiça social. Quando aliada aos ideais que valorizam a promoção de oportunidades aqueles que mais precisam, pode ser um fio condutor capaz de transformar sonhos em realidade. Exemplo na busca por reparação de desigualdades, a Orquestra Criança Cidadã (OCC), do Coque, localizada no Centro do Recife, comemorou, no domingo (25), 15 anos de existência. Mesmo ainda sob os desafios impostos pela pandemia da Covid-19, mantém de pé o acolhimento a centenas de jovens.

“É um sentimento de dever cumprido e de conquista, não pelos troféus que recebemos. A maior conquista da Orquestra é realizar a transformação de vidas desses jovens que estudam no projeto, isso pra mim é o maior troféu e um feito que se repetiu muitas vezes ao longo desses 15 anos. Temos a certeza de que o projeto deu certo e está dando certo por ser de inclusão social pela música, com o maior objetivo de formar o cidadão”, disse o idealizador e coordenador geral da Orquestra, João Targino.

O trabalho antes já desempenhado com crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social ganhou ainda mais valor diante das dificuldades superadas em meio ao momento pandêmico. A OCC passou cerca de um ano e quatro meses funcionando no modelo on-line e híbrido – de um lado, visto como alternativa para a continuação das aulas. Por outro, representou mais um contratempo frente ao número de crianças da comunidade sem acesso à internet ou aos aparelhos eletrônicos necessários. Somente há duas semanas, o projeto retornou às atividades de forma totalmente presencial. 

“O sentimento é de conquista a cada ano. Estamos vivendo um período muito difícil para todo mundo, as crianças tinham muita dificuldade, alguns alunos não tinham internet. Outros, só o pai tinha o celular e levava para o trabalho, e a criança não conseguia assistir às aulas. Foi muito difícil”, descreveu a professora de iniciação musical da Orquestra, Rebeka Muniz. Segundo ela, a alta no desemprego no país tem sido outro fator adverso, uma vez que a permanência das crianças no projeto ficou em risco. 

“Às vezes vem a desmotivação, às vezes os pais querem que o filho comece a trabalhar logo para ajudar em casa e o aluno perde oportunidade de estudar. Mas entre tantas dificuldades, a maior conquista é conseguir segurar esses alunos”, acrescenta. Isso é possível, muitas vezes, por meio da bolsa auxílio oferecida pela OCC aos alunos que tocam na Orquestra.

De aluna à professora

Foi através das sementes espalhadas pela Orquestra Criança Cidadã que Rebeka, hoje, colhe seus próprios frutos. Aos 10 anos de idade, ela projetava ser professora de matemática. Os sonhos, no entanto, mudaram a partir do primeiro contato com a música. A recifense fez parte da primeira turma da Orquestra, iniciada em 2006. No projeto, tocou viola por sete anos e viu a mudança social acontecer na prática, por meio de sua própria história. Hoje, aos 25, ela tem licenciatura em Música pela Universidade Federal de Pernambuco e é a primeira ex-aluna a se tornar professora no projeto. Titulação que carrega com orgulho, principalmente quando olha para trás e observa a trajetória que trilhou.

“Foi a realização de um sonho. Quando eu era aluna, tive como inspiração uma professora e foi quando decidi que queria ser professora de música da Orquestra, para que eu pudesse retribuir a outras crianças da minha comunidade aquilo que eu recebi. Sou totalmente realizada fazendo o trabalho que faço lá”.

Projeção

Ao todo, a Orquestra Criança Cidadã atende 400 crianças distribuídas nos núcleos do Coque, Ipojuca e Igarassu, e já levou a música clássica, regional e pernambucana para países como Alemanha, China, EUA, Argentina, Itália e Portugal.

Até o mês de setembro, será inaugurada a Escola de Formação de Luthier e Archetier, com o objetivo de profissionalizar jovens na fabricação de instrumentos e arcos.

Fonte: Diário de Pernambuco

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