Reger na pandemia: Orquestra Sinfônica de Goiânia adapta atividades e se apresenta em salas vazias

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O trabalho de uma orquestra sem o público perde o sentido. Esse mesmo público não acompanha os encontros, a preparação, os estudos e os muitos ensaios que os integrantes vivenciam antes de subir ao palco e executar o programa da noite, mas é parte fundamental do resultado. Por enquanto, a Orquestra Sinfônica de Goiânia (Osgo) tem se apresentado para uma sala de ensaios vazia, na sede localizada no Edifício Parthenon Center, no Centro, de Goiânia. O público continua acompanhando – agora por intermédio das telas.

“Orquestra é aglomeração por excelência. A transmissão pelas redes sociais não é a mesma coisa. Na presença do público ocorre uma transmissão de mensagem em toda a sua plenitude, uma troca de energia”, diz o maestro Eliseu Ferreira dos Santos, diretor artístico da orquestra.

No dia 20 de março, o programa Orquestra em Casa, iniciativa da Secretaria Municipal de Cultura (Secult Goiânia), deu início a uma série de atividades online com conteúdo diário disponibilizado nas redes sociais. O projeto contempla, além da Osgo, a Orquestra Jovem Joaquim Jayme, o Coro Sinfônico de Goiânia, a Banda Juvenil de Goiânia e o Coro Juvenil de Goiânia.

“Começamos fazendo lives demais, com três ou quatro atividades por dia. Acabou ficando saturado; então, diminuímos a frequência”, conta o maestro. No dia 18 de junho, o Quinteto de Cordas da Orquestra Sinfônica de Goiânia  fez uma live especial, como parte das comemorações de 78 anos do Teatro Goiânia, do projeto Em Cartaz, criado pela Secretaria de Estado da Cultura (Secult Goiás). O teatro está recebendo propostas para dar continuidade às lives e gravações propostas pelo projeto, de acordo com o coordenador do Teatro Goiânia, Josemar Caleffi.

Em julho, a Osgo deu início aos programas artísticos que já haviam sido selecionados anteriormente para as séries de concertos, agora batizada de Temporada On-line. “Estamos realizando a mesma temporada que faríamos presencialmente, mas com as devidas adaptações”, explica o maestro.

As restrições devido à pandemia de Covid-19 resultaram em uma série de mudanças no dia a dia da orquestra, começando, é claro, pela proibição de plateias. Disposição de álcool em gel em todas as dependências, higienização das salas entre cada ensaio e restrições de pessoas estão entre elas. As atividades com instrumentos que utilizam cordas têm acontecido de forma mais intensa e frequente, sendo permitida a presença de até 11 pessoas.

As medidas seguem os protocolos de segurança recomendada pelo Fórum Brasileiro de Ópera, Dança e Música de Concerto e das recomendações das autoridades sanitárias em nível estadual e municipal.

Para os instrumentos que utilizam a boca, como os de sopro, o número máximo é reduzido para cinco. “Nesse caso, não dá para usar máscara; então, os grupos precisam ser menores ainda”, explica Eliseu. Pensando nisso, foram construídas cabines individuais e transparentes para acomodar os músicos. Os testes tiveram início na segunda-feira. “Depois de duas horas de ensaio, os músicos começaram a se ambientar na cabine. É complicado por todas as questões artísticas, de acústica e de timbrais envolvidas”, diz o maestro.

No caso do coral, a situação é ainda mais complicada. “O ato de contar cria muito mais contaminação. Temos casos de ensaios que ocorreram pela Europa no mês de março em que 90% se contaminaram”, explica Eliseu. As atividades do Coro Sinfônico e do Coro Juvenil de Goiânia estão ocorrendo, em sua maioria, de forma on-line, com ensaios e reuniões por meio dos aplicativos de videochamadas. “Não é o ideal por causa dos delays. Têm acontecido também de o pessoal gravar as vozes de casa e editamos”, revela. O aprendizado de funções como de gravação e edição entram na lista de mudanças para os músicos. “São habilidades que a maioria não tinha, mas que foi preciso adquirir para o momento”, completa.

Apoio externo

As transmissões ao vivo estavam ocorrendo de maneira descontraída nas redes sociais, mas, com o início da Temporada On-line, no dia 9, as questões técnicas tiveram de ser aprimoradas. Com o apoio do Instituto Orquestra Cidadã, foi possível a compra de bons computadores, mesa de som, microfones e cobrir os custos da contratação de um pacote de internet de alta velocidade. “Com isso, foi possível levar os recitais e apresentações virtuais para o público com uma qualidade que nunca tivemos”, afirma o maestro.

O instituto é uma organização sem fins lucrativos criada em meados de 2016, direcionada a beneficiar a Orquestra Sinfônica de Goiânia e os seus subgrupos musicais. Sem eventos presenciais, o apoio direto, que antes era do público, vem acontecendo por meio do instituto. “Todo o aporte financeiro é pela Prefeitura, a gente só funciona por causa dela.”

Apesar de orçamentos reduzidos e da contenção de gastos que o momento

exige, Eliseu arma que todo o corpo de músicos foi mantido até então. São 80 pessoas na Osgo, somando 290 pessoas com todos os grupos. A exemplo de outras orquestras no Brasil e no exterior que tiveram atividades suspensas, ele acredita que agora, mais do que nunca, a Osgo precisa se manter ativa. “A área da cultura é a que mais vai sentir a crise a longo prazo. Estamos nos adaptando e, pelo menos, não matando a cultura totalmente em resposta.”

Fonte: O Popular

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